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Inadmirável mundo novo

INADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Hoje, dia 18 de fevereiro, faz 11 meses, 48 semanas, 337 dias, 8.088 horas ou 485.280 minutos que só coloquei quatro vezes o "nariz" fora de casa.

Pode parecer insano para muitos. Outros tantos irão entender como resiliência, disciplina e paciência - pela sanidade - e tudo mais que quiserem pensar.

Isso não foi, não é, nem continuará sendo fácil. Porém, vivo o difícil, sobrevivendo o dia a dia, vivendo os dias no seu "cada um".

Confesso que não percebi que todo esse tempo já tinha passado. 

Passado.

Essa é a razão maior do nosso presente. Viver todos os dias, deixando que o passado seja o nosso futuro, é um presente. 

Vivendo o presente da melhor forma me fez sentir que não consegui, quase que em momento algum, assistir o tédio e as muitas séries, que se levam tão a sério nesse momento.

Vivi cada segundo do agora achando ainda que faltavam horas num mesmo dia.

Não senti tampouco a falta de liberdade. Somos muitas vezes presos naquilo que supostamente parece livre.

Respirei na janela protegida com rede de proteção, olhando a vida passando quadrada, enquadrada nos novos ares de um mundo diferente, inadmirável mundo novo.

Vi os rápidos dias passarem – no tiquetaquear do tempo – passando acelerados.

Vi os passos dos tantos destemidos, andando pelas ruas, sem máscaras, mascarando a consciência, no descompasso de falsa rotina.

Vi os desprovidos, na espera de providência, carregando seus fardos pesados de dor, de vida.

Vi tantas vidas, não vividas, perdidas num não sei o porquê.

Preenchi cada angústia com o muito de tantas ocupações.

Esvaziei as preocupações para caberem menores, dando lugar pra tantas outras coisas melhores.

Num mesmo espaço criei mundos enormes, de sonhos pequenos.

Nas coisas simples vi os complexos detalhes das tramas que tramam os destinos.

Lavei, passei, passei lavando precisamente tudo o que nunca antes havia sido lavado. 

Limpei, a vida, escrevendo, passando a limpo, lavando a sujeira oculta da alma encolhida, lavada e torcida.

Enxaguei as mãos, no mesmo tanto que enxuguei os olhos. 

Abri os olhos limpos para tentar ver o brilho da limpeza de um mundo mais alvo, brilhante.

E assim vou seguir seguindo, no mesmo compasso, redesenhando o sol de cada dia, nascendo num renascer de cada dia de sol.



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