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Padroeira

Nesse dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida fico aqui, em romaria e prece. Talvez minha romaria seja levar palavras, usando o dom da escrita, para que em prece sejam acolhidas. Gostaria de não sentir mais aquela dor que aperta o coração quando me vêm lembranças de tempos sombrios. Lembranças de velhas intolerâncias, retrocessos enterrando esperanças, olhos fechados, covas rasas, dores profundas, pratos cheios de carcaças, vazios, fartos de desmazelos, desmatando, dizimando etnias em corpos cadavéricos de velhos e crianças, inocências alimentando culpados corações secos, ardilosos, ricos no ouro enlameado da ganância.  Como esquecer? Isso deveria aquecer.  Ferver mentes, em consciência, em consequências. Isso e tantos outros desmandos, deveriam arder, nas bocas que pronunciam o Santo nome de Deus em vão. Santificado sim, seja o vosso nome, na verdade, na justiça, no pão nosso, de todos, de cada dia. Que venha sempre entre nós, na paz, no amor, na igualdade, para todos, o v...
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Coisaradas

Coisaradas Tem dias que as coisas ficam num vai e vem na nossa mente. Coisaradas, boas, más, de bobeiras, que afastam as coisas ruins. Tem dias que vêm, que vão, que são, com coisaradas para fazer que estão na mente, e outras que a gente mente não estar, pra não ter que fazer. Tem dias que vão, quase em vão, num vai e vem de tantas coisaradas. Tem dias que ficam. Tem dias que foram.  Tem dias sem a graça das piadas sem graça. Tem dias de coisaradas. Tem dias de risadas, de graças.  Tem dias que são, sendo sãos, santos dias. Tem dias que vão, que vem que sejam renascidos no anoitecer num acontecer de coisaradas de um novo dia.

Girassol

Girassol  Nos tempos de escola primária, no colégio de freiras, tive aulas de religião. Certa vez, num mês de maio, tivemos que fazer um cartaz como tarefa especial. Ele tinha que ser dedicado a Nossa Senhora, por ser o mês consagrado a ela. O girassol foi minha inspiração.  Preparei cuidadosamente o projeto. Fiz o desenho colorido e grande, como essa flor, para representar o que tampouco se sabe sobre os seus tantos significados que aumentam a sua grandeza. Representado com pétalas da cor do sol, a pintura também teve a colagem de bolinhas de papel crepom marrom parecendo sementes. A flor recebeu o destaque no miolo, onde coloquei a figura de um recorte de revista com o rosto de Maria. Na grandiosidade da obra de Van Gogh, a percepção sobre o que os girassóis inspiram e representam se fez também presente no amarelo, na alegria e vitalidade da minha pequena intenção de arte. Um vaso de Maria. Assim como o girassol reverencia o sol, seguindo sempre a sua luz, Nossa Senhora nos ...

O secreto agente

O secreto agente Assisti ao premiado filme candidato ao Oscar: “O agente secreto”. Vi sem criar expectativas, para viver a experiência, sem rótulos, sem as avaliações que o levaram a tal condição. Quis ter minha própria interpretação, sentir mais do que construir uma crítica com conceitos e conhecimentos aprofundados sobre a arte cinematográfica.  A princípio, terminei de ver o filme com uma sensação estranha, melancolia. Pensei até que fosse uma coisa refletida, misturando sentimentos pessoais. Um cinema, sem a colorida leveza do cinemascope. Compreendi que se tratava de algo mais do que entretenimento. Em cada grão de pipoca preparado para a distração, senti o gosto doce e salgado que se alternavam. Tentar digerir o sabor da alienação de tempos sombrios foi indigesto.  Essa história de tantas histórias me transportou num tempo que sempre ainda é tempo, que não se apaga. Thriller, lendas. Tempo de tantas contradições. Tempo vivido, vívido como as cores dessa época...

Magia

Magia Em conversa recente com uma de minhas irmãs, relembramos os tantos Natais em família. Essa nostalgia nos levou a refletir sobre o sentido atual dessa festa tão importante. Entre os muitos paradoxos sobre essa data, percebemos que o Natal se desviou do que realmente deveria ser.  O luxo e a opulência se fazem cada vez mais marcantes, ofuscando a essência dessa comemoração. Relembramos a riqueza da simplicidade que enfeitava nossas ruas, nossas casas e nossos corações.  As lojas pequenas, que pareciam tão grandes, ofereciam mercadorias de singelos presentes escolhidos em vitrines e trazidos pelo Papai Noel que só aparecia no céu estrelado da nossa imaginação. Também fazem parte dessas lembranças as melodias e letras mal cantadas de clássicas músicas natalinas e orações em torno das mesas decoradas com as melhores intenções. Os aromas e sabores eram compatíveis com a especialidade dessa data e com os preparos das receitas afetivas. As poucas luzinhas, que eram peque...

Ah! O amor...

Ah! O amor...  De interjeições, exclamações, interrogações e surpresas. Palavra doce entre ofícios e sacrifícios amargos. Compreender o amor é um exercício. Senti-lo, um aprendizado. Nem sempre é o que se define, nem sempre se constrói e permanece em apenas uma definição.  Discordo do poeta quando ele diz "que seja eterno enquanto dure". Prefiro dizer: "que ele dure eternamente enquanto amor". Esse amor, que acaba em um determinado momento, não deve ser amor. Esse amor de eternidade intensa e passageira não é amor. Amor de aroma abstrato, edificado no belo, amor dos poetas.  Esse amor é "fingidor, fingindo a dor que não se sente". É amor personificado, amor elaborado, pensado, calculado, medido em tempo, marcado por uma existência fugaz. Amor romanceado em páginas, com prefácios e epílogos. Amor dançado, cantado. Amor valsa e bossa nova. Amor de vitrine, de cartaz, de cinema. Amor de foto, de calendário. Amor de passagem. Amor de viagem, passei...

Dia de celebrar...

Dia de celebrar... Dia de mim por mim Feita desse feitio Confeitos Dia de renascer  Com cores  Nos cinzentos  De fênix Com sorrisos bobos E lembranças especiais  De ser especialmente lembrada Entre choros E alegrias Brilha  Com olhos de criança Bolo Coros  Velas Reluzindo a nova idade  Com doces esperanças De infância Madura Em tantos céus azuis  De agostos