Girassol Nos tempos de escola primária, no colégio de freiras, tive aulas de religião. Certa vez, num mês de maio, tivemos que fazer um cartaz como tarefa especial. Ele tinha que ser dedicado a Nossa Senhora, por ser o mês consagrado a ela. O girassol foi minha inspiração. Preparei cuidadosamente o projeto. Fiz o desenho colorido e grande, como essa flor, para representar o que tampouco se sabe sobre os seus tantos significados que aumentam a sua grandeza. Representado com pétalas da cor do sol, a pintura também teve a colagem de bolinhas de papel crepom marrom parecendo sementes. A flor recebeu o destaque no miolo, onde coloquei a figura de um recorte de revista com o rosto de Maria. Na grandiosidade da obra de Van Gogh, a percepção sobre o que os girassóis inspiram e representam se fez também presente no amarelo, na alegria e vitalidade da minha pequena intenção de arte. Um vaso de Maria. Assim como o girassol reverencia o sol, seguindo sempre a sua luz, Nossa Senhora nos ...
O secreto agente Assisti ao premiado filme candidato ao Oscar: “O agente secreto”. Vi sem criar expectativas, para viver a experiência, sem rótulos, sem as avaliações que o levaram a tal condição. Quis ter minha própria interpretação, sentir mais do que construir uma crítica com conceitos e conhecimentos aprofundados sobre a arte cinematográfica. A princípio, terminei de ver o filme com uma sensação estranha, melancolia. Pensei até que fosse uma coisa refletida, misturando sentimentos pessoais. Um cinema, sem a colorida leveza do cinemascope. Compreendi que se tratava de algo mais do que entretenimento. Em cada grão de pipoca preparado para a distração, senti o gosto doce e salgado que se alternavam. Tentar digerir o sabor da alienação de tempos sombrios foi indigesto. Essa história de tantas histórias me transportou num tempo que sempre ainda é tempo, que não se apaga. Thriller, lendas. Tempo de tantas contradições. Tempo vivido, vívido como as cores dessa época...