Pular para o conteúdo principal

Magia




Magia

Em conversa recente com uma de minhas irmãs, relembramos os tantos Natais em família. Essa nostalgia nos levou a refletir sobre o sentido atual dessa festa tão importante.

Entre os muitos paradoxos sobre essa data, percebemos que o Natal se desviou do que realmente deveria ser. 

O luxo e a opulência se fazem cada vez mais marcantes, ofuscando a essência dessa comemoração.

Relembramos a riqueza da simplicidade que enfeitava nossas ruas, nossas casas e nossos corações. 

As lojas pequenas, que pareciam tão grandes, ofereciam mercadorias de singelos presentes escolhidos em vitrines e trazidos pelo Papai Noel que só aparecia no céu estrelado da nossa imaginação.

Também fazem parte dessas lembranças as melodias e letras mal cantadas de clássicas músicas natalinas e orações em torno das mesas decoradas com as melhores intenções.

Os aromas e sabores eram compatíveis com a especialidade dessa data e com os preparos das receitas afetivas.

As poucas luzinhas, que eram pequenas lâmpadas, brilhavam intensamente nas ruas e em árvores de Natal, com bolas de vidro fininho e neve de algodão, que reluziam em nossos olhos como o brilho indescritível do menino na manjedoura do presépio.

Na nossa casa a árvore de Natal também acompanhou tendências e, nos anos 70, chegou a ficar minimalista, prateada com bolas pink, transgredindo o tradicional pinheiro verde. Mesmo assim, nessa versão pop, manteve a característica da simplicidade com os frágeis enfeites e a ponteira no topo.

Essas memórias trazem momentos de união, de alegria infantil, da esperança e espera de um ano todo por essa data.  

Tudo parecia e era mágico.

Hoje, e em tantas outras épocas, a magia sempre foi algo fascinante.

Ela traz um sentido "mágico", literal ou metaforicamente, tantas coisas.

Diante das percepções sobre isso, minha irmã concluiu que o Natal, agora tão cheio de coisas “mágicas”, deixou de ser genuinamente mágico.

Repleto de novidades, recheado com tantos recheios, sabores, cores e luzes iluminadas de ilusões cada vez mais fugazes, perdeu-se dentro da sua real magia.

Encontramos reciprocidade nos olhares, nas sensações e inspirações de nossas recordações.

Ainda assim sabemos que deve permanecer em nós o propósito de preservar esse "mágico" tempo, de passados, de presentes, nos presenteando com velhas e novas histórias.

Vivam a riqueza mágica das coisas simples.

Viva a magia do Natal, no sempre.

Feliz e mágico Natal!


Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Dia de celebrar...

Dia de celebrar... Dia de mim por mim Feita desse feitio Confeitos Dia de renascer  Com cores  Nos cinzentos  De fênix Com sorrisos bobos E lembranças especiais  De ser especialmente lembrada Entre choros E alegrias Brilha  Com olhos de criança Bolo Coros  Velas Reluzindo a nova idade  Com doces esperanças De infância Madura Em tantos céus azuis  De agostos

O secreto agente

O secreto agente Assisti ao premiado filme candidato ao Oscar: “O agente secreto”. Vi sem criar expectativas, para viver a experiência, sem rótulos, sem as avaliações que o levaram a tal condição. Quis ter minha própria interpretação, sentir mais do que construir uma crítica com conceitos e conhecimentos aprofundados sobre a arte cinematográfica.  A princípio, terminei de ver o filme com uma sensação estranha, melancolia. Pensei até que fosse uma coisa refletida, misturando sentimentos pessoais. Um cinema, sem a colorida leveza do cinemascope. Compreendi que se tratava de algo mais do que entretenimento. Em cada grão de pipoca preparado para a distração, senti o gosto doce e salgado que se alternavam. Tentar digerir o sabor da alienação de tempos sombrios foi indigesto.  Essa história de tantas histórias me transportou num tempo que sempre ainda é tempo, que não se apaga. Thriller, lendas. Tempo de tantas contradições. Tempo vivido, vívido como as cores dessa época...