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À árvore da minha vida

À árvore da minha vida

20 de fevereiro.

Aniversário de alguém muito especial:

”minha mãe”.

Assim como eu, ela também escreve há muito tempo. 
 
Seus muitos escritos, vez ou outra, nos dão o ar de sua graça. Eles aparecem rabiscados em papéis avulsos, nos cadernos abandonados e velhos, espalhados por todos os cantos, revelando em pedaços de papel o inteiro dos seus encantos.

Neles existem sonhos, desejos e sentimentos guardados, muita história de vida, de vidas, tão intensamente vividas.

O reconhecimento por essa habilidade poucas vezes se fez presente.

Sua alma linda transparece no escreve. E sei o quanto é importante ser “lida”, reconhecida e admirada por isso.

Hoje, mãe querida, no esplendor dos seus 89, quero que todos possam vê-la além dos doces, das suas doçuras e de todas as suas belezas.

Espero que seu talento ainda seja recompensado.

Desejo que continue grande e forte como os pinheiros, “que se vergam com o vento mas jamais nenhum vento os derrubará”.

Seja sempre assim, como as belas árvores coloridas, florindo e colorindo nossas vidas. 

Ofereço aqui o meu pequeno espaço para que se sinta grandemente amada por mim e por tantos outros.

Felizes todos os dias e domingos!

..........................................................................

Uma tarde de domingo qualquer 

Sentada numa velha cadeira de vime que, de tanto tomar chuva e sol, desgastou-se pelo tempo, com almofadas outrora coloridas, que se desbotaram num terraço de uma casa, também velha. 

Eu, uma também velha, saboreio um café que acabou de ser coado, dando umas mordidas num morango vermelhinho e suculento. 

Pode ser estranho mas há gosto pra tudo. Eu gosto de café com morango.

Observo tudo o que vejo na minha frente!
 
Uma árvore de acerola, que depois de quatro anos resolveu dar frutos, poucos, mas é com imenso prazer que os vejo vermelhos. Um sonho de quem conversou com ela e até “ameaçou cortá-la”.
 
Pedi, fiz carinho em suas folhas para que me desse o prazer de ver, pelo menos, uma florzinha e um fruto.

É estranho, "babaquice”, coisa de velha. Mas para mim é uma conquista.
 
Torno a olhar, através dos galhos de uma enorme árvore de ipê rosa plantada na calçada em frente a minha casa. Agora ela está quase desnuda de folhas. Elas caíram e tive que recolhê-las – todos os dias – deixando um tapete de folhas secas no chão.

Entre os galhos vejo um céu muito azul, com muitas nuvens, como flocos de algodão, e umas se tornando cinzentas prometendo, talvez mais tarde, chuva de verão.

E os pássaros, que em casais, namoram sem pudor à luz do dia nos galhos desnudos.
São variados: sabiás, bem-te-vis, canários, pintassilgos e uns diferentes, que cantam alto e eu desconheço, mas são lindos.

Adoro borboletas. Não vejo nenhuma no momento.

Um dia desses encontrei uma linda, branca, com desenhos em amarelo. Que pena que estava no chão, morta, e faltando uma das asas.

Tenho várias numa caixa e meus filhos ficam bravos quando eu consigo pegá-las e guardá-las. Mas eu penso: se elas duram tão pouco, por que não apreciar por mais tempo sua beleza? 

Agora sopra um vento...

Ouço folhas secas caindo no chão... 

Mais à direita vejo vários pinheiros, bem altos, que se vergam com o vento, mas jamais nenhum vento os derrubará.

São gigantes, fortes e muito verdes. Neles entrelaça uma trepadeira de primavera vermelha que na primavera nos encanta com seu colorido. 

E têm mais trepadeiras de folhas enormes, todas recortadas. Parece que foram picadas, retalhadas com a tesoura.

Mas ainda não acabou...

Vejo também outra árvore que está começando a dar cachos de flores amarelas.

Ah! E à esquerda vejo outra, de acácia imperial, que acabou de cair todas as flores. Todos os anos, no final de novembro até o natal, fica uma "bola amarela” e depois caem as flores, deixando um tapete amarelo na calçada.

Tudo isso é pra dizer uma coisa, uma palavra, um sentimento tão simples, cujas letras estão escritas na xícara que tomo o café: 

FELIZ

Pois é como me sinto agora. 

Como se diz por aí, a felicidade é feita de momentos e este é um momento em que estou feliz!
 


               

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