Girassol
Nos tempos de escola primária, no colégio de freiras, tive aulas de religião.
Certa vez, num mês de maio, tivemos que fazer um cartaz como tarefa especial. Ele tinha que ser dedicado a Nossa Senhora, por ser o mês consagrado a ela.
O girassol foi minha inspiração.
Preparei cuidadosamente o projeto.
Fiz o desenho colorido e grande, como essa flor, para representar o que tampouco se sabe sobre os seus tantos significados que aumentam a sua grandeza.
Representado com pétalas da cor do sol, a pintura também teve a colagem de bolinhas de papel crepom marrom parecendo sementes.
A flor recebeu o destaque no miolo, onde coloquei a figura de um recorte de revista com o rosto de Maria.
Na grandiosidade da obra de Van Gogh, a percepção sobre o que os girassóis inspiram e representam se fez também presente no amarelo, na alegria e vitalidade da minha pequena intenção de arte.
Um vaso de Maria.
Assim como o girassol reverencia o sol, seguindo sempre a sua luz, Nossa Senhora nos mostra também sua reverência a Deus, obediente e resignada sob a grandeza dessa luz.
Como ela, o girassol também representa o instinto da alma em sempre se voltar para o divino, a positividade mesmo durante os dias nublados.
Por estar sempre acompanhando o sol, é visto como um símbolo de devoção.
Foi com esse olhar puro e genuíno que quis mostrar a lealdade, o amor incondicional, a devoção e a fé inabalável representadas nessa flor com Maria.
No singelo cartaz, fiz meu aprendizado de uma espiritualidade infantil que sempre se sustenta, renasce e ilumina minha maturidade.
Feito com ideias singelas, fotos de recortes de revista, palavras escritas com belas letras douradas desenhadas por um pai calígrafo, acrescentaram ao cartaz as simples riquezas que o destacou dentre os outros tantos expostos e iluminou as paredes do longo e escuro corredor do colégio.
Essa é uma pequena lembrança poética, trazendo luz para descrever o que meus olhos viam e ainda vêem na beleza dos girassóis e de Nossa Senhora.
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