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Ave!

Naninhando Nesses dias encontramos uma nova paixão: um ninho. De repente, assim como acontecem as paixões, vimos uma forma estranha sobre uma árvore que fica em frente a janela da nossa sala. A princípio não entendemos muito o que aquele volume de pequenos galhos, entre outras coisas que se misturavam a eles, poderia ser. O objeto estranho estava bem exposto sobre os galhos de uma árvore perdendo as folhas. Talvez por isso, inicialmente, não achamos que a elaborada arquitetura poderia ser um ninho. Mas tivemos a confirmação quando, de repente, sobre ele, pousou um sabiá, ou melhor, uma sabiá. Ela se aconchegou, bem quietinha, e lá permaneceu. Nesse instante percebemos que poderia estar chocando os ovinhos, ou então protegendo os seus filhotes. Então, a partir disso, começaram nossos momentos de prazer, aqueles que vêm das paixões.  Tivemos a ousadia de chamá-lo de nosso, nos apossando da posse que muitas vezes vem das paixões. Todos os dias ficamos obse...

Dia de mim

Hoje é dia de mim! Sempre acho que esse dia é muito especial. Nele espero o presente, presentes de novas esperanças. Nele, quase sem esperar, me vejo esperançando no belo sentido dessa palavra. Nele revejo, festejo, renasço no amor reaquecido, que pensava morno, esquecido. Nele tudo fica quente, no coração pequeno para tantos afetos. Nele vivo tantos sonhos vívidos para serem sonhados e vividos. Nele as cores voltam e voam feito borboletas. Nele surgem perfumes de lembranças com as flores de ser lembrada. Nele acordo minhas crianças, recheadas de doces festas. Nesse dia, e em todos os outros, me refaço. Nesse, e entre todos os momentos de pedras e flores, sempre agradeço a tudo e a todos, pelo sempre desse dia. Viva a vida!

Casa

Minha casa tem portas, ora abertas, ora fechadas, escondendo fachadas. Minha casa tem janelas, olhos, vistas, vendo o tempo em seus tempos. Minha casa tem paredes, que descascam falas, escutam desbotados e conversam colorindo silêncios. Minha casa acolhe aromas, bons, ruins, cheiros cheios de recheios, de memórias, de histórias. Minha casa tem santos e pães nossos de todos os santos dias. Minha casa tem pós, poeiras que empoeiram o passado presentes no futuro. Minha casa tem limpeza, limpando sujeiras de bagunças bem arrumadas. Minha casa tem flores, cores, armários guardando belezas, tristezas e miudezas.   Minha casa tem livros, música, um tanto de artes, de bagulhos, de orgulhos em tantas artes. Minha casa tem papéis, papel e folhas escritas em branco. Minha casa tem calor, frio, coração quente com cantos vazios. Minha casa tem aconchego, casas, abrigo abrigando sonhos. Minha casa tem gente, tem bicho, encantos, bichinhos em todo canto. Minha casa tem alegrias de cho...

Dia de todo dia

Nesse dia  Queremos ser mais Sendo   Admiradas No mesmo tanto  Que admiramos Em tantos  Um tanto  De nadas Nesse dia  Queremos ver Vendo respeito No mesmo tanto  Que respeitamos  Até os nadas Nesse dia Queremos mais De tudo Do mesmo tudo  De não querer  Ser nada E sem nada Ser quase tudo Nesse dia Queremos mais  O quero No mesmo tanto  Do querer  Lutando Em receber menos Do que o tudo de  um nada Nesse dia  queremos  Nos tantos dias  De muito pouco E quase nadas Os tantos  Em tantos dias De mulheres Felizes Todos os dias

Quaresmorfose

Quaresmorfose Lagartas... Num lagartear Lagarteiam Largando Larvas Lavram Lavoreiam Alargando Em alargar No lograr  De largas Ceias Entre teias E cadeias Lagarteando Livram Leves Livres Aladas Alargadas Elevadas Em asas Voando No renovo Do voar 

Santo querido

      Frei Galvão   Santo de santo remédio. Agradecer será sempre pouco diante da grandeza de todas as suas obras. Nascido em Guaratinguetá (SP) em 1739, Frei Galvão é o primeiro Santo brasileiro. Deixou-nos uma grande obra, o Mosteiro da Luz, declarado “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela UNESCO, aqui em São Paulo, o qual também ajudou a construir com as próprias mãos. Por essa razão é considerado o protetor dos construtores civis, dos pedreiros, arquitetos e engenheiros. Criou as pílulas, feitas com pequenos papeizinhos enrolados, com uma oração escrita dentro deles, para ajudar as pessoas doentes como um remédio e alento para sanar os males de cada um, físicos e espirituais. Creio que sua intenção com isso, fosse a de fazer algo que ajudasse a despertar a fé, uma grande aliada na realização da cura. Ajudar as pessoas e promover a caridade foi o maior trabalho que Frei Galvão realizou. Santos devem ser todos os que procuram ser melhores em ...

Davincianas

Num tempo sem tempo, viviam, em um lugar com céu lápis-lazúli, duas meninas: Mona e Lisa.  Filhas de um mestre das artes, foram criadas feito pinturas. Sob os olhares do pai elas brincavam nas colinas e posavam sorrisos tímidos para as telas notáveis do senhor Da Vinci. Mona gostava tanto de ser retratada que magicamente a bela foi enclausurada numa tela, cela de eternidade. Nunca mais saiu dela. Dessa prisão emoldurada se fez admirada. Sua notoriedade percorre o mundo e transpõe os tempos. Dentre esse e outros tantos mistérios já não se sabe mais quais as verdades sobre Mona. Seu sorriso brilha sob camadas de verniz onde já não se vê o mesmo sorrir de outrora. Porém, com Lisa, tudo muda. Retratada como a irmã, não ficou célebre como Mona. A tempo percebeu que o destino dessa fama tinha o preço da liberdade, aprisionada e camuflada sob camadas craqueladas de tintas e verniz. Lisa, então, preferiu não ser adornada da mesma popularidade. Sem poses e enquadramento, voou...