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Santo querido

      Frei Galvão   Santo de santo remédio. Agradecer será sempre pouco diante da grandeza de todas as suas obras. Nascido em Guaratinguetá (SP) em 1739, Frei Galvão é o primeiro Santo brasileiro. Deixou-nos uma grande obra, o Mosteiro da Luz, declarado “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela UNESCO, aqui em São Paulo, o qual também ajudou a construir com as próprias mãos. Por essa razão é considerado o protetor dos construtores civis, dos pedreiros, arquitetos e engenheiros. Criou as pílulas, feitas com pequenos papeizinhos enrolados, com uma oração escrita dentro deles, para ajudar as pessoas doentes como um remédio e alento para sanar os males de cada um, físicos e espirituais. Creio que sua intenção com isso, fosse a de fazer algo que ajudasse a despertar a fé, uma grande aliada na realização da cura. Ajudar as pessoas e promover a caridade foi o maior trabalho que Frei Galvão realizou. Santos devem ser todos os que procuram ser melhores em ...

Davincianas

Num tempo sem tempo, viviam, em um lugar com céu lápis-lazúli, duas meninas: Mona e Lisa.  Filhas de um mestre das artes, foram criadas feito pinturas. Sob os olhares do pai elas brincavam nas colinas e posavam sorrisos tímidos para as telas notáveis do senhor Da Vinci. Mona gostava tanto de ser retratada que magicamente a bela foi enclausurada numa tela, cela de eternidade. Nunca mais saiu dela. Dessa prisão emoldurada se fez admirada. Sua notoriedade percorre o mundo e transpõe os tempos. Dentre esse e outros tantos mistérios já não se sabe mais quais as verdades sobre Mona. Seu sorriso brilha sob camadas de verniz onde já não se vê o mesmo sorrir de outrora. Porém, com Lisa, tudo muda. Retratada como a irmã, não ficou célebre como Mona. A tempo percebeu que o destino dessa fama tinha o preço da liberdade, aprisionada e camuflada sob camadas craqueladas de tintas e verniz. Lisa, então, preferiu não ser adornada da mesma popularidade. Sem poses e enquadramento, voou...

Hora direis...ora

Ora, direis Tolos ouros De todos  Que não saciam a sede   Em rasos regatos  Ricos pobres que  Peneiram a alma  Entre pedras e areia Buscando vender  Seu intento  Pelo que não consegue comprar Ouros tolos, Direis Ora reluz  Ofuscando as horas Do tempo que se desmancha Sob os sóis De cada dia Do pão nosso de Midas  Oro, direi Procura no encontro De cobiça  E conquista Naquilo que se perde Entre os dedos  Derretendo sonhos Entre anéis E alianças de esperanças Ora, direis Vale tanto quanto o entanto Desse encanto? Busca revestida de horas sem tempo Encontros que se perdem Guardados no sempre  De tolos tesouros dourados.

Bem-vindo

2022... Página virada. Virada. Foram 365 tentativas e oportunidades. Nem todas aproveitamos e algumas nem mesmo tentamos apenas acreditar. Muitas vezes desgastados, nos entregamos na espera de que o fim se fizesse começo e que algum começar chegasse ao fim. Você não foi fraco e não esmoreceu, nem na dureza, nem na doçura. Colhemos suas mudas, mudando e aprendendo suas lições. Amamos, sofremos, lutamos, rasuramos, apagamos e escrevemos, ora certo em linhas tortas, ora torto em linhas tão retas, fazendo curvas descompassadas do compasso. Vivemos cada uma de suas páginas e fizemos parte de suas histórias, do pão nosso de cada dia, de cada ave-maria, de cada lágrima e sorriso, na aventura clara dos seus dias e das suas noites escuras, de tudo aquilo que porventura nossos corações viram e nossos olhos puderam sentir. Agora, velho amigo, com seus feitos e desfeitos, escritos e descritos, agradecemos e nos despedimos, aguardando o renovo que nasceu de suas sementes. Agora, viveremo...

Dia...de Natal

Hoje senti um cheiro...de boneca. Brinquedo em "Dia de Natal". Cheiro único, ímpar, cheiro de infância, de coisa nova, velho cheiro de alegria! No Natal, de tantos aromas, lembranças e lembrancinhas, inspiramos perfumes na alma e respiramos sonhos De ontem, de sempre. Hoje senti o dia parar nesse dia, repleto da esperança, de acordar amanhã e encontrar outro dia igual a esse.  Dia que sempre se espera. Dia que acontece. Dia presente, de presentes, de ausentes tão presentes.  Dia que achamos o que nunca perdemos e ganhamos o que procuramos.  Dia que é noite, dia e noite, eternizando nascimentos renascidos, adormecidos em aconchegos do Dia de Natal.                   Boneca Tippy - anos 70

Suffragium

SUFFRAGIUM Já é hora Desde agora Desde sempre De fazer uma prece À Mãe Padroeira Desse Brasil Tão carente Pedirei  Que se precipite  À nossa  frente Sendo medianeira Em "JÁIR” pedindo  Ao verdadeiro Messias Que nos salve Do mito Desvairado Até então  Chefe dessa nação  De tristes desmandos Com lendas de salvação Nessa terra De tanta gente sofrida De tantos filhos Tão indigentes De almas famintas E fome nas mentes Rotos De BOLSOS vazios Bolsos furados Vazando sonhos Repletos de pesadelos    E, ainda pensando em prece, Peço que se apresse Em clarear a escuridão  Que se vê nos olhos Que não escutam Falando Tão cegamente   Vejo Que os BOLSOS incertos Esvaziam-se  Esvaindo as certezas Dos tempos de outrora De carregar a esperança Em bolsas Família, Repletas  Sustentadas  Em braços frágeis De mães, Avós, filhos e filhas Com sonhos De saberes De valores De pai Sem cortes Aos que nada podem Bolsas  De couro forte ...

Sessenteando

Sessenteando... Numa tarde de agosto, nasci. Década de 60, seis décadas de aniversários. Nesse dia costumo me emocionar (coisa que é comum em mim) mas é de um jeito diferente. Num hoje desses tantos dias percebo que sem desalento o tempo ultrapassou minha criança não crescida, acrescida de tantos desejos infantis. Percebi e sinto que nada passou no lento, nem tampouco desatento. Percebo o branco escurecendo as cores dos cabelos escuros. No rosto, os tantos agostos, descrevendo gostos, desgostos, escritos em tantas páginas, revelando o que o coração não quis revelar. O espelho traidor, espelha entre suas tantas faces uma nova velha leitura vintage na face, reescrevendo um queixo entre aspas. Sempre gostei delas.  Será por isso o presente dessa ruga? Ou seria porque venho me "queixando" delas? Talvez seja a ironia se exprimindo, imprimindo "expressões" que não são usadas diariamente.  Talvez seja o destaque de tantos inícios e fins. Significado das aspas, ...